Adotados pelo Amor de Deus!

Inserido por Pr. José Augusto Moser Cury em 5 September 2010 | 0 Comentários

O amor é um verbo! A Bíblia fala no evangelho de João, capítulo 1, versículo 1, que no início era o verbo, e ele estava com Deus, e Ele era o próprio Deus. Provavelmente, a partir dessa afirmação temos a máxima: “Deus é amor”. Sob o ponto de vista bíblico, lá na criação do mundo, em Gênesis, o homem e a mulher são criaturas de Deus, e não seus filhos, mas Jesus faz a nossa ligação com o Pai, como o próprio evangelho de João diz: “Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus”. Ou seja, por Seu amor, Ele nos adotou como Seus filhos. Por amor, por Seu amor.

No sentido teológico, adoção é o ato gracioso de Deus pelo qual os pecadores são reunidos à família dos redimidos, podendo então chamar Deus de “Aba” (termo aramaico para “Pai”) e os outros igualmente remidos de “irmãos”. Porque o pecado rompeu a relação inicial entre Deus e a criatura e porque Jesus fez a ponte outra vez, o pecador arrependido e justificado recebe o direito de se tornar filho de Deus. Trata-se de uma verdadeira adoção: Deus nos escolhe “para sermos adotados como filhos por meio de Jesus Cristo” (Ef 1:5).

No sentido jurídico, adoção é o ato de alguém receber uma criança como seu próprio filho. É o caso da princesa egípcia que adotou o terceiro filho de Joquebede quando o encontrou entre os juncos, à margem do rio Nilo, o recém nascido Moisés (Gn 2.10). É também o caso de José, marido de Maria, que fez de Jesus seu filho adotivo, sendo que não tinha nenhuma ligação de sangue com ele (Mt 13.55). Não existe a possibilidade de alguém tomar para si a responsabilidade de uma vida, sem amar. Aliás, é impossível dizer que se ama, sem demonstrar que se ama. O amor é um verbo, porque exige a necessidade de demonstração e prova. A adoção é um ato de amor, e o seu foco não é a necessidade da família, mas sim a da criança. Para uma família receber alguém que passou por todo tipo de dificuldade, trauma e falta de carinho, é necessário uma família disposta a amá-la. A adoção sugere a idéia de família, porque acaba com o medo, a insegurança, a incerteza e qualquer complexo de inferioridade que a criança possa ter. Entretanto, ainda existem os casos de famílias que por algum tipo de “incompatibilidade” acabam devolvendo a criança adotada.

Agora, imagine um sistema onde cerca de 3.500 crianças estão à espera de pais adotivos, segundo o Cadastro Nacional de Adoção, do Conselho Nacional de Justiça, e tem gente que acaba desistindo de acolher, educar e amar um deles. Para eles, cabem as palavras de C.S. Lewis: “Não existe um investimento seguro. Amar é ser vulnerável. Ame qualquer coisa e seu coração irá certamente ser espremido e possivelmente partido. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, não deve dá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente em passatempos e pequenos confortos, evite todos os envolvimentos, feche-o com segurança no esquife ou no caixão do seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro, sombrio, imóvel, sufocante – ele irá mudar. Não será quebrado, mas vai tornar-se inquebrável, impenetrável, irredimível. A alternativa para a tragédia, ou pelo menos para o risco da tragédia é a danação. O único lugar fora do céu onde você pode manter-se perfeitamente seguro contra todos os perigos e perturbações do amor é o inferno.”

Amar é uma escolha, amar é uma ação. E o amor é um verbo.

Felipe Matheus Stresser

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